Depois da medalha, o facto inédito de levar duas seleções aos Jogos Mundiais Universitários

Portugal estará representado pela primeira vez com duas Seleções Nacionais Universitárias de basquetebol nos Jogos Mundiais Universitários, que arrancam no final de junho em Chengdu, na China. Este facto inédito, alcançado num esforço conjunto entre a FADU e a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), fará com que uma comitiva lusa composta por cerca de 30 pessoas siga para a competição, anteriormente designada por Universíada. Na última edição a equipa feminina conquistou o bronze e foi a única equipa europeia no pódio.

 

 

Segundo o site da competição, faltam 150 dias, 19 horas e 30 minutos para o arranque dos Jogos Mundiais Universitários de verão, na cidade chinesa de Chengdu. A competição foi adiada por um ano devido à pandemia, mas Portugal volta e volta em força. Pela primeira vez a FADU levará duas seleções de basquetebol a competir numa universíada, a feminina e a masculina. ‘Com aquilo que é o passado recente no que respeita ao desempenho das equipas portuguesas nesta competição, e que culminou na conquista do terceiro lugar da seleção feminina em 2019, só podemos estar satisfeitos com este facto e expectantes com o desempenho dos que farão parte da próxima missão portuguesa’, vaticina à partida o presidente da FADU, André Reis.

 

Em 11 participações de equipas portuguesas (cinco masculinas e seis femininas, nunca em simultâneo), Portugal conquistou dois diplomas, fruto de um sétimo e oitavo lugares (em 1997 e 1999, respetivamente), tendo tido o melhor desempenho em Nápoles, com a conquista do terceiro lugar da equipa feminina. Para o selecionador nacional, que acompanhou a equipa feminina nas duas últimas edições das universíadas, Ricardo Vasconcelos, a participação regular e o fator geracional são preponderantes no desempenho. ‘A regularidade das participações ajudará sempre a uma consistência no trabalho e a obter melhores desempenhos. Somos um País pequeno e um pouco dependente das gerações, não é fácil para nós, na maior parte das modalidades, garantir sempre valor. Infelizmente na população ainda não temos tanta gente a fazer desporto como gostaríamos’.

 

Entre 2009 e 2017, Portugal esteve afastado das competições na modalidade, facto que cortou a corrente de passagem de testemunho. ‘[Nesta edição], a equipa masculina estará mais às escuras porque, apesar de já terem ouvido falar, ninguém da equipa técnica ou jogadores está a viver a experiência pela segunda ou terceira vez, e a passar o testemunho a quem vier a seguir. O iato que tivemos levou a isso’, acredita o treinador, que vai para a sua terceira participação ao leme da seleção feminina. Da China à europeia Nápoles, há um mar de diferenças. A bem dizer, dois continentes de diferenças no que respeita ao tipo de experiência. Em Taipé o conceito de aldeia olímpica sentiu-se de forma mais acentuada, na cidade italiana o basquetebol teve jogos em Caserta na maior parte das vezes, estando afastado do porto napolitano onde se concentrou a maior parte dos atletas das restantes modalidades. No entanto, há coisas que ficam. ‘Cada prova é uma prova, mas há características muito específicas e receios que são atenuados pela experiência já obtida. A continuidade na participação faz com que, pelo menos os que vão participar mais do que uma vez tenham uma consciência maior’.

 

O regresso da equipa masculina à competição maior do desporto universitário beneficiou da conjugação de alguns fatores organizacionais e do esforço da FADU e da FPB, que tudo fizeram para o tornar possível. ‘É uma competição com um nível muito elevado, em que estão atletas de seleção de topo e que faz desenvolver muito os nossos jogadores’, garante o diretor técnico nacional de basquetebol, Nuno Manaia. Ainda que a competição esteja agendada para uma altura em que a Seleção Nacional sénior joga o apuramento para o Mundial de 2023 (que irá decorrer na Indonésia, Japão e Filipinas em 2023) e a Seleção de sub-20 disputa pela primeira vez a divisão A do europeu, o objetivo, segundo o responsável da FPB, passa por ‘fazer a mesma coisa que se tem feito com o feminino e aproveitar ao máximo, para que no futuro consigamos manter um lugar na competição’.

 

Quanto ao feminino, as expectativas estão noutro patamar, ainda que com muitas cautelas na hora de assumir as ambições. ‘A última participação foi extraordinária, sabemos que é um lugar difícil de alcançar, mas estamos muito empenhados. Prevemos algumas semanas de preparação porque queremos representar bem o nosso País. Acho difícil chegarmos a um lugar de pódio, mas achei o mesmo antes da participação em Nápoles’.

 

Em Taipé, a participação na 29ª edição da competição, quase deu direito a diploma (9º lugar) e dois anos mais tarde, Portugal foi a melhor seleção europeia em prova e o terceiro lugar não fugiu.  Num jogo emocionante frente ao Japão, onde houve direito a prolongamento (13-17; 29-24; 43-48 e 58;58), a equipa lusa assegurou lugar no pódio, tendo o resultado final ficado nos 76 – 59. Ricardo Vasconcelos faz um balanço desse percurso e traça mínimos para Chengdu. ‘Em 2017 e apesar de ter sido uma prova muito boa, geracionalmente falando se calhar não tínhamos nível para estar nas quatro melhores equipas. Foi em agosto e muitas das jogadoras da liga americana nem sequer foram libertadas pelos clubes para participar. Acabamos por não ter algumas das jogadoras mais fortes. Em Nápoles, pelo facto de ter sido em junho/julho, tivemos disponíveis as que estavam cá e as que estavam fora, e contamos com atletas que tiveram boas prestações a nível europeu. Tínhamos noção de que era uma geração mais completa e com algumas que já tinham tido a tal passagem de testemunho’. A preparação é um fator fundamental, que também a experiência veio revelar. ‘Na primeira participação não conseguimos marcar jogos de preparação, estávamos mais às escuras. Nesta segunda já conseguimos marcar alguns jogos de preparação, e este ano já estamos a falar com várias federações, Hungria, Finlândia e outras, para conseguirmos chegar mais bem preparados’. Por esse percurso, acredita que é legítima a ambição de chegar ao lote de equipas que irá disputar o apuramento para um lugar de pódio. ‘O objetivo é estar na primeira parte da tabela, estar na fase de apuramento para as medalhas. Queremos estar entre as oito melhores equipas e ter uma palavra a dizer. Chegando aí é que podemos perspetivar algo mais, até porque teremos um conhecimento mais realista da prova’.

 

No feminino predomina o realismo de saber que é melhor ter plano B

 

Segundo o diretor da FPB, há mais jogadoras de basquetebol a frequentar o ensino superior do que jogadores. A explicação, assegura, poderá ter a ver com alguma diferença que ainda não se conseguiu esbater não só no desporto, mas também na sociedade, na perspetiva da profissionalização dos atletas. ‘Enquanto um jogador jovem consegue aos vinte anos ter a perspetiva de ser ou vir a ser profissional de basquetebol, nas raparigas há mais a noção de que é difícil serem profissionais no basquetebol. Talvez por isso haja uma maior preocupação em conciliar a carreira universitária com a desportiva’.

 

Segundo Inês Antunes, que desempenhou a função de team manager da equipa de basquetebol nas últimas edições das universíadas, refere que ‘são raros os exemplos de atletas femininas que deixaram de estudar para se dedicarem exclusivamente a jogar basquetebol’. As atletas têm uma visão muito clara da realidade e são bastante determinadas. ‘Já têm bem estruturado o que querem fazer e seguir - se querem ir para os Estados Unidos por exemplo -, porque não se consegue viver só do basquetebol em Portugal’, salienta, reforçando que há muito que a realidade da estudante-atleta existe na modalidade, ainda que nem sempre o basquetebol tenha integrado as missões portuguesas. ‘Temos algumas seniores a dizer que gostavam de ter tido a oportunidade de ir a uns Jogos Mundiais Universitários na altura delas!’.

 

‘As universíadas foram dois dos pontos altos do meu percurso até aqui’

 

Uma experiência única e inesquecível é aquilo que se propõe a quem embarca na aventura de participar nos Jogos Mundiais Universitários. Quem já fez essa viagem, recorda-a com um brilho especial. É o caso de Maianca Umabano, que participou nas duas últimas edições. ‘Fico sempre muito feliz quando falo das universíadas’, começa por dizer a estudante-atleta do Instituto Universitário de Ciências da Saúde, que reconhece que quando foi convocada pela primeira vez teve sentimentos antagónicos, entre o cansaço acumulado de uma participação em agosto (e durante várias semanas) e o desconhecimento do tipo de envolvência que o evento tem. ‘Foram experiências únicas, uma delas no outro lado do mundo, onde nunca mais voltei e onde se calhar nunca iria se não fosse esta oportunidade! Foram das melhores coisas que me aconteceram na vida e dois dos pontos altos do meu percurso até aqui’, recordou.

 

‘Nos europeus estamos restritos a um modelo e é sempre o mesmo. Neste caso vamos com outros atletas do nosso País, o que nos permite conhecer outras pessoas e ter outro conhecimento sobre outras modalidades’, disse, salientando ainda que a experiência permite também o contacto com diferentes faixas etárias, uma vez que a participação vai dos 18 aos 26 anos. E as amizades vão surgindo. Se ao início a timidez de quem chega falava mais alto, hoje em dia há uma forte ligação entre um grupo mais restrito que se formou, conta a basquetebolista de 24 anos.

 

E entre as histórias que relatam o apoio entre modalidades – em Nápoles o Judo foi claque assídua nas bancadas e outros se lhes foram juntando -, surgem também episódios caricatos. Por terras do Vesúvio, há a recordar o inocente roubo de equipamentos à seleção russa. ‘As equipas lavavam a roupa todas no mesmo sítio e houve um dia em que a Carolina Rodrigues pega no saco alheio e leva para os quartos. Passado algum tempo, algumas das colegas percebem que os equipamentos eram ligeiramente diferentes e eis que se apercebem que se tratava dos trajes de jogo da seleção russa e quando vão devolver já estava montada uma verdadeira caça ao equipamento’, conta Inês Antunes. Tudo acabou bem, mas ficou uma história para mais tarde recordar. ‘Foi sem querer!’ contesta de imediato a protagonista. Já em Taiwan, dois anos antes, a diferença horária de oito horas levou a que, a fim de atenuar os efeitos do jet lag, a comitiva tomasse medicação para conseguir dormir e os efeitos adversos resultassem em histórias caricatas logo a abrir a estadia. ‘Algumas não se lembravam de conversas dessa noite, outras viam peixes no édredon da cama…’

 

‘Não é necessário ser só estudante ou só atleta, tem que se conseguir fazer as duas coisas’

 

Miguel Minhava, recorda a sua participou na Universíada de Izmir (Turquia), em 2005. ‘Confesso que até recebi a notícia de que ia à universíada num momento de alguma tristeza, porque estava nos trabalhos da Seleção Nacional sénior, era novo, e tinha acabado por não ficar no grupo final. Depois fiquei contente quando soube que ia à universíada e foi uma experiência completamente diferente, única’, contou, elogiando todo o grupo que integrou a missão naquele ano. Reconhecendo que houve conquistas importantes como a aprovação do estatuto do estudante-atleta em Diário da República em 2019, recorda as dificuldades que sentiu na altura em que era estudante-atleta. ‘É muito bom para o basquetebol que se levem duas equipas. Em Portugal temos uma realidade muito diferente da norte-americana, há ainda muitos passos que têm de ser dados, nomeadamente na questão do atleta de alta competição que é estudante. Sei das dificuldades que tive na altura. Mas se com as participações e os bons resultados conseguirmos demonstrar que temos pessoas de alta competição que também estudam acaba por ser estimulante’. Havendo uma espécie de intervalo competitivo entre a seleção de sub-20 e a seleção senior, muitas vezes a gestão de expetativas não é fácil de fazer e Minhava entende que ‘uma participação destas é o suficiente para motivar um atleta’. Internacional e com passagens por clubes como SL Benfica, Barreirense, Belenenses e Galitos Barreiro, o agora treinador nunca deixou os estudos, algo que considera de extrema importância. ‘Não é necessário ser só estudante ou só atleta, tem que se conseguir fazer as duas coisas’, sublinha, ele que estudou Educação Física na Faculdade de Motricidade Humana e Jornalismo na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. 

 

‘Será uma experiência que os marcará enquanto atletas e enquanto cidadãos’

 

Da parte da FADU e da FPB, na voz do seu diretor, a ideia passa por ‘reunir o melhor grupo possível’ e já há um feedback positivo dos possíveis convocados, num primeiro contacto. ‘Temos notado entusiasmo nos atletas que temos contactado e que são elegíveis’ afiança Nuno Manaia. O diretor garante que os JMU fazem parte da calendarização da FPB todos os anos e a participação é fundamental, uma vez que permite ter participantes de várias idades e dar-lhes espaço a nível internacional. Já o presidente da FADU mostra-se confiante no desempenho das duas equipas, salientando, no entanto, que o que está em causa é muito mais do que os objetivos que se levam. ‘Depois de épocas de alguma privação por força da pandemia, estamos a permitir que mais estudantes-atletas tenham a oportunidade única de representar o seu País ao mais alto nível nas competições universitárias. Sabemos que será uma experiência que os marcará enquanto atletas e enquanto cidadãos, e é sobretudo isso que nos move’.  

 

 

 

 

 

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