Sampaio loves judo, Portugal loves Sampaio

Tem 22 anos, quer ganhar medalhas em todos os escalões e provas de judo em que participa (está bem encaminhada) e terminar o curso de Ciências da Comunicação. Recentemente sagrou-se campeã europeia, cerca de um ano depois da lesão mais grave que sofreu em Budapeste, precisamente na capital húngara. Destemida, resiliente, reservada, sensível e… poupada, são algumas das características que lhe apontam. Falamos de Patrícia Sampaio, que até já foi nomeada para ‘rising star’ pela Federação Internacional de Judo.

 

 

Sampaio loves judo ou em bom português ‘a Sampaio ama o judo’. Assim se autodenomina na sua conta de Instagram a judoca Patrícia Sampaio, que ainda vê sem vestígios de pó a última medalha que conquistou, a de campeã europeia de judo de sub-23 na categoria de -78kg, em Budapeste. Aos 22 anos tem como objetivo conquistar medalhas em todos os escalões e provas em que participe, terminar a licenciatura em Ciências da Comunicação e continuar a formar-se em áreas que possam complementar a do desporto e de que possa vir a fazer vida no futuro.

 

Filha de mãe com formação na área da Filosofia e de pai que foi jogador profissional de futebol em clubes como o Estrela da Amadora ou o União de Tomar, foi as pegadas do irmão mais velho que seguiu, desde os sete anos. Igor Sampaio é oito anos mais velho e além de irmão é atualmente seu treinador, alguém que soube puxar pelo melhor da atleta, com os trunfos de quem a conhece bem como irmã. ‘Ela tenta sempre superar-se e nos primeiros anos em que a treinei houve ali uma fase em que era raro o treino em que ela não saía de lá a chorar. Eram discussões de meia-noite e ficava chateada’, contou. Antes do judo ganhar espaço exclusivo, Patrícia não se negava a nada. ‘Sou horrível em qualquer outro desporto que não o judo, mas ia a tudo’, disse com humildade, deixando escapar que mesmo assim ia ganhando uma medalha ou outra.

 

Aos 17 anos deixou Tomar, de onde é natural, e rumou à capital, onde terminou o ensino secundário. Depois de algumas hesitações e de um exame de biologia que não correu lá muito bem, abandonou o plano A – seguir Nutrição – e abraçou o plano B, o das Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas na Universidade Nova de Lisboa. ‘A verdade é que não tive nota para o que queria e depois como escrevia bem e era boa a português decidi ir para a área do jornalismo. A faculdade tem nome, é boa, a minha mãe também estudou lá e ficou toda orgulhosa’, confessou. Falar com alguém que se propõe a ser a melhor em cada fase da sua vida de judoca é também falar com alguém que não convive (assim tão) bem com a realidade de não ser a jovem comum que ‘leva tudo direitinho’. ‘Não é fácil’, assegurou assim que surgiu o capítulo da estudante-atleta na conversa. ‘Estou na faculdade desde 2017, parece que estou a tirar medicina, é mau! Estou há cinco anos e o curso é de três!’, disse, relatando as dificuldades que tem, entre as cadeiras teóricas que requerem muita leitura e as cadeiras práticas onde lhe são exigidas peças jornalísticas para as quais nem sempre tem tempo. ‘Ainda tentei fazer nas minhas competições, mas não saiu grande coisa e desisti. Gosto de escrever, de fazer a parte das entrevistas, mas não sou muito criativa depois a escrever as reportagens’. Ciente de que o conhecimento não ocupa lugar, quer continuar a formar-se depois da licenciatura, sem certezas de qual seja o melhor caminho. ´São mais recursos porque a carreira não vai durar assim tanto e queria algo que também tivesse ligação ao desporto. Posso vir a fazer jornalismo na área do desporto, pode ser que me apaixone por isso’. Pensa muitas vezes em mudar de curso, mas diz que lhe falta coragem e fica-se pela velha máxima de que mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.  Segundo o irmão, nem sempre é fácil para Patrícia lidar com a vertente académica, que fica naturalmente num segundo plano, porque ‘é muito metódica, exigente, e custa-lhe não cumprir as coisas no período normal para o estudante comum’.

 

Na faculdade que frequenta diz não sentir entraves por parte dos professores na hora de adiar apresentações ou testes. ‘Acontece montes de vezes e não tenho tido razões de queixa. Já me alteraram trabalhos, já me alargaram prazos, já tentei desistir de um trabalho porque não estava a ter capacidade nem tempo de fazer, a professora alterou para algo mais fácil e consegui fazer e ter boa nota. Ainda há dias fui falar com um professor porque vou ter uma competição no dia do teste, também não dava para adiar para a semana seguinte porque vou ter outra e ele disse-me para estudar e quando me sentisse preparada para o avisar e combinávamos a data. É um cadeirão que estou a tentar fazer e como no ano passado chumbei, ele ainda se lembrava de mim’, disse, entre risos.

 

O ser destemida, a sua resiliência e o espírito de superação são das principais características que lhe apontam, incluindo o treinador, que contou um episódio de autêntico desespero que aconteceu no europeu de sub-17 na Finlândia, em 2016, onde Patrícia conquistou a medalha de prata. ‘Pouco antes do início da competição, já tínhamos feito de tudo para ela perder peso. Sauna, sal, desidratação… tudo e ainda faltavam perder quase dois quilos! Eu não fui a essa competição e o desespero era tal que às tantas estava ela comigo ao telefone e com os colegas a mexer-lhe os braços e a abaná-la para ela suar e perder esse peso’. Além dessas características que se evidenciam quando está em ´modo atleta’, somam-se outras. Segundo a amiga e afilhada de casamento Joana Diogo, também ela judoca, ser muito expressiva e poupada são algumas delas. ‘É mesmo muito expressiva, quer ao nível das palavras quer a nível das expressões faciais – e as fotos que ela tem a competir comprovam o que estou a dizer! É muito divertida e perspicaz, sensível e carinhosa, gosta de comer bem, adora fazer surpresas e ser surpreendida, é uma romântica e adora chorar a ver aqueles filmes típicos de gaja. É também a pessoa mais poupada que conheço’.  Segundo a amiga, a judoca tomarense não dispensa alguns cuidados diários. ‘Gosta de se cuidar, andar sempre com uma boa sobrancelha, usar o creminho para não ganhar rugas, pintar as unhas, é muito vaidosa, mas discreta ao mesmo tempo’. Em suma ‘é uma princesita, que não vive sem um pouco de drama e isso é a nossa diversão diária’.

 

As conquistas e a nomeação da IJF para ‘rising star’

 

Em 2020 foi nomeada para os prémios da Federação Internacional de Judo (IJF) na categoria ‘estrela em ascensão’, nomeação que recebeu com surpresa e de que teve conhecimento através das redes sociais. ‘Soube porque houve muita gente a partilhar e a identificar-me nas histórias [do Instagram], eu não fazia ideia. Eram só cinco nomeados do mundo inteiro, tinha a noção de que seria complicado ganhar pelas pessoas que estavam lá, mas foi lisonjeador pelo nível dos jovens que estavam nessa categoria’. Nesse mesmo ano ganhou ainda o troféu de Atleta Feminina do Ano 2019, atribuído pela Confederação do Desporto de Portugal. O reconhecimento vem com um medalheiro recheado. Patrícia Sampaio, judoca da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais (Tomar), conta com 13 medalhas de ouro em campeonatos nacionais, uma de prata e quatro de ouro em europeus (uma delas conquistada pela NOVA no Campeonato Europeu Universitário de Judo), a última em Budapeste já neste mês de novembro, três medalhas de bronze em mundiais, e três de bronze e uma de ouro conquistadas em Grand Prix. Estas medalhas estão distribuídas pelos vários escalões por onde passou. Soma-se ainda a primeira participação nos Jogos Olímpicos, já em 2021 (Tóquio), uma experiência que define como agridoce. ‘São uma ferida que estou a tentar cicatrizar’, começou por dizer, ela que foi eliminada na segunda ronda pela campeã mundial da categoria, a alemã Anna-Maria Wagner. ‘Foi mais doloroso do que imaginei, uma sensação diferente pela derrota’, tentou explicar, referindo que perdeu relativamente rápido e que, chegada ali, queria mais do que ‘só’ estar presente.

 

Falta a medalha mundial nas competições universitárias

 

Patrícia vê as competições universitárias como mais um palco para brilhar. ‘[Participar no Campeonato Europeu Universitário] foi muito giro e depois até ofereceram o valor das propinas desse ano, além de que foi mais uma oportunidade de ganhar mais um título’. Quanto à possibilidade de vir a participar nos Jogos Mundiais Universitários (antes denominados de Universíadas), é algo que gostava de concretizar no futuro. ‘Adorava participar. Sei que essa data foi alterada, se tivesse sido este ano – estavam marcados para depois dos Jogos Olímpicos – podia fazer e começava depois o apuramento olímpico. Para o ano já vamos estar no apuramento olímpico para Paris e as provas já vão ser escolhidas a dedo. O europeu universitário será difícil, mas a universíada era uma coisa que eu gostava muito e que tenho de ver com o meu treinador. É uma experiência única, há limite de idade para participar e por isso não poderei ir sempre’.

 

Foto: EUSA

 

As lesões e a companhia da avó Alcina

 

Os anos de 2020 e 2021 ficaram marcados pelas lesões. Em outubro de 2020, sofreu uma fratura na perna direita no Grand Slam de Budapeste e seguiram-se meses de recuperação. ‘Foi muito complicado lidar com isso, ganhei muito peso, tinha alguns retrocessos, quando voltei tive outros problemas na perna e foi muito desgastante ter de lidar com todos estes altos e baixos’, contou. Quem ganhou uma companhia regular foi a avó Alcina, sua fã número um. ‘Depois de ser operada estive um mês parada e os dias eram todos iguais. Era acordar, ir para o sofá com a minha avó e passar lá o dia. Ela é que ficou contente!’ Apesar de gostar da companhia da avó, que tem até um álbum com recortes de jornais onde os netos já foram notícia, aquele não era o estilo de vida a que estava habituada e que a preenchia.

 

Em abril deste ano, voltou a lesionar-se no combate com a francesa Fanny Estelle Posvite, no europeu de Lisboa e foi aí que recorreu a ajuda para trabalhar mais a parte psicológica. Apesar de entender que em Portugal ainda é muito o atleta que tem de ter a iniciativa de recorrer a profissionais que complementem o trabalho do atleta (psicólogos, nutricionistas), vê essas ajudas como importantes e necessárias no seu caso. ‘Sei que tenho de trabalhar mais a parte da gestão de expectativas, a parte emocional. Os Jogos serviram de exemplo daquilo que não quero voltar a sentir, andei uns tempos a passar mal. O que senti lá também foi condicionado por coisas que me aconteceram, porque a parte das lesões também tem a ver com alguma falta de sorte’, disse, afiançando que está a ficar mais disciplinada nessa vertente.

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