Seleção de craques com qualidade Superior

Da Seleção Nacional de Andebol, que participou por estes dias no Mundial que decorreu no Egito e no qual Portugal obteve a melhor classificação de sempre (décimo lugar), dez foram estudantes-atletas no Ensino Superior. O desempenho de alguns deles no desporto universitário resultou em medalhas de ouro a nível europeu e mundial, e a persistência nos estudos é uma porta aberta para áreas como a medicina ou a engenharia.

 

 

Praticar desporto ao mais alto nível e tirar uma licenciatura e até mesmo um mestrado é difícil, mas não é impossível. Para o provar estão alguns dos atletas que integraram a Seleção Nacional de Andebol presente no Campeonato Mundial disputado no Cairo por estes dias. Dos vinte eleitos do selecionador Paulo Pereira, metade frequentam o ensino superior ou já têm os respetivos diplomas. São eles: Alexandre Cavalcanti, Alfredo Quintana, Bélone Moreira, Diogo Branquinho, Diogo Silva, Fábio Magalhães, Humberto Gomes, Luís Frade, Miguel Martins e Rui Silva.

 

Atletas de grandes clubes nacionais e internacionais, têm consciência de que mais cedo ou mais tarde terão de seguir o plano B, assim ele exista. O veterano Humberto Gomes, que frente à Noruega – e com apenas sete minutos de jogo - foi considerado o homem do jogo, não tem dúvidas de que o canudo mais tarde ou mais cedo vai dar jeito. ‘Ao longo da nossa carreira desportiva não temos o mesmo tempo para ir às aulas, mas com alguma disciplina individual consegue-se fazer o curso. E se acabarmos um curso de três anos em quatro ou cinco… desistir é que nunca!’, frisou, ele que está a uns pozinhos de se tornar mestre Humberto. ‘Falta-me entregar a tese de mestrado, que atrasou por causa da pandemia, mas espero entregá-la este ano’. E se a engenharia do emblemático keeper do Minho aguarda a tese final, o título de doutor Bélone Moreira está em standby estratégico. ‘Acabei o curso de Medicina e parei, agora tenho de fazer o exame da especialidade para exercer logo a seguir. Não valia a pena fazer logo porque perdia a validade. Já fiz algumas pós-graduações, uma em medicina desportiva, para me ir mantendo atualizando’, confessou o lateral do SL Benfica, ele que fez o curso de seis anos em oito. Para Luís Frade, a pressão de ser o melhor no andebol não se estende ao curso de Economia onde, não querendo ser o melhor, quer cumprir. ‘Já fiz algumas cadeiras, outras estão a caminho e outras nem perto disso, mas pouco a pouco vou conseguir acabar o curso’. Apesar de ter noção da importância de ter qualificações a nível superior, o andebolista do Barcelona vê no futuro muitas reticências. ‘A Economia é uma coisa que me interessa, mas não me estou a ver no futuro, depois do dinamismo que temos na nossa vida agora, sentado numa secretária todos os dias’.

 

A pensar na ligação quase umbilical que têm com o desporto, alguns optam por áreas relacionadas. É o caso dos atletas Alfredo Quintana, Miguel Martins, Fábio Magalhães e Diogo Silva, todos a representar atualmente o FC Porto. ‘Quero acabar o curso de Desporto e, depois de acabar a carreira como atleta, gostaria de continuar ligado a essa área. Se não der, tenho de me fazer à vida! O importante é ter um curso, um seguro para que quando deixarem o andebol, ou outra modalidade, consigam ter um diploma para seguir outra carreira’. Já Miguel Martins optou por Gestão do Desporto e está agora no terceiro ano: ‘é um curso ligado ao desporto mas ao mesmo tempo não é tão prático, as cadeiras são um pouco mais teóricas e consigo fazê-las a partir de casa, dá para conciliar com o andebol’, disse, consciente de que o curso lhe oferece saídas profissionais estimulantes. Diogo Silva fala na dificuldade que é encaixar os treinos, as viagens para competir, as aulas e os exames, no entanto sublinha a compreensão que tem da maior parte dos professores e é otimista quanto ao sucesso de uma carreira dual. ‘Acredito que uma grande maioria consegue manter as duas atividades, claro que é difícil levar tudo direitinho na parte da faculdade, conseguir fazer tudo nos anos que é suposto, mas o fundamental é ir continuando a fazer’, frisou, sem esquecer a importância da família no estímulo à prossecução dos estudos. Também Fábio Magalhães, que trocou a enfermagem na Universidade do Minho pela Administração e Gestão Desportiva na Universidade Autónoma de Lisboa, falou do incentivo dos mais próximos. ‘A minha mãe, principalmente, chateava-me muito a cabeça para fazer o curso, mas eu também sempre tive esse objetivo e é um curso relacionado com o desporto’, contou, reconhecendo alguma boa vontade de todos os que o rodearam no percurso académico. ‘Tive bastante ajuda, os colegas foram incríveis, os professores também ajudaram’.

 

No leque da oferta do ensino superior há quem escolha explorar outras áreas. Após o 12º ano, Alexandre Cavalcanti optou por seguir o curso de Gestão de Empresas na Lusófona, que agora está em pausa. Há cerca de ano e meio mudou-se para a cidade francesa de Nantes. ‘Desde que comecei a jogar profissionalmente tinha o sonho de ir para fora, surgiu a oportunidade de ir para o HBC Nantes – eles tinham sido vice-campeões da Champions - e agarrei a oportunidade. Em França dá-se muito mais importância ao andebol, os pavilhões estão sempre cheios e há mais imprensa’. Para Cavalcanti, o enriquecimento pessoal adquirido com a experiência, complementa aquele que a sala de aula também dá. ‘É uma cultura e língua diferentes e enriquece-me muito enquanto pessoa e enquanto jogador’.

 

E se há quem opte por seguir uma carreira lá fora, há outros que competem ao mais alto nível em Portugal, sem abrir um abismo na conciliação de uma carreira dual. Diogo Branquinho, licenciado em Engenharia e Gestão Industrial, vê coisas em comum. ‘As vidas académicas e desportiva coincidem em muitas coisas. Na camaradagem, espírito de liderança, combate às adversidades, otimismo e confiança, coisas que ganhamos e que podemos usar nas duas vertentes’. Com o diploma assegurado, Diogo enaltece o contexto propício que encontrou. ‘Apesar de não ter um curso de Desporto, a Universidade do Minho tem uma cultura desportiva muito grande e quase todos os professores nos apoiam e valorizam. Dão-nos a hipótese de adiar testes e sessões para esclarecimento de dúvidas. Os colegas também ajudam, mandam apontamentos e nos trabalhos de grupo compreendem os nossos horários e compromissos’. Também no Minho, Rui Silva viu o seu nome na lista de alunos de Direito, no entanto as circunstâncias levaram-no a mudar de curso. ‘Na altura que temos de escolher é um pouco cedo para decidirmos aquilo que vai ser o nosso futuro para o resto da vida e tive influência a nível familiar para ir para Direito. Acabei por perceber que não era algo que iria conseguir conciliar por ter uma carga muito grande de estudo’. Rui Silva mudou e está agora no terceiro ano de Gestão de Marketing no IPAM em Matosinhos, e pretende mais tarde ‘fazer a ligação da área do marketing com a do desporto’, duas áreas com as quais se identifica. Quanto a semelhanças com o andebol, confessa que ‘o espírito universitário também acaba por ser muito competitivo’.

 

Competições universitárias têm outra leveza

 

Fruto da idade e das circunstâncias, é comum associar-se às experiências proporcionadas pelo desporto universitário alguma leveza, mas também muita importância na criação de rotinas de jogo e no enriquecimento pessoal. Muitas vezes proporcionam a estes atletas a primeira grande experiência a nível internacional, algo que não  esquecem, passem os anos que passarem. Quintana, medalha de ouro na Universíada de Gwangju em 2015, fala desses tempos com saudosismo. ‘Foi top, igual a uns Jogos Olímpicos, mas para atletas universitários. Estivemos focados naquilo que queríamos na competição mas também fazíamos coisas típicas dos universitários, saíamos e convivíamos com pessoas de outras nações, de outras modalidades. Foi incrível! Noutras competições há um peso maior’. Campeão europeu universitário duas vezes e campeão do mundo em 2014, Diogo Branquinho põe a questão de forma simples. ‘Se virmos bem, se formos campeões mundiais universitários isso significa que fomos os melhores do mundo a jogar andebol e que também estudam. Tem muito valor’. Humberto, campeão nacional pelos minhotos vezes sem conta, faz o balanço do que viveu enquanto estudante-atleta. ‘As competições universitárias acrescentaram-me tempo de jogo, deram-me mais amizades, acrescentaram-me mais riqueza a nível cultural e foi sempre um grande orgulho representar a Universidade do Minho’. Já se sabe que o desporto dá amigos para a vida, e assim foi também com Bélone. ‘Vamos não só para ganhar mas para nos divertirmos, trocarmos experiências e jogar com pessoas que também estão a estudar. O título soube bem e foi reconhecido por algumas pessoas mas não foi o principal. Foram ambas boas experiências - uma em Portugal e outra na Coreia - e esta segunda foi o mais perto de uns Jogos Olímpicos em que já estive’. Fábio Magalhães, lateral esquerdo do FC Porto, foi medalha de ouro no europeu universitário em 2011, na Croácia, e não esquece a experiência. ‘Foi muito interessante. O espírito de grupo que vivíamos no dia a dia era muito bom e depois conseguirmos conciliar isso com o resultado, foi extraordinário’.

 

 

Europeu, mundial e Tóquio na mira

 

Depois de um histórico sexto lugar conquistado no europeu realizado na Áustria, Suécia e Noruega, a Seleção Nacional de Andebol voltou a participar num mundial, 18 anos depois da última presença. Portugal ganhou todos os jogos da fase de grupos, tendo sucumbido ao talento das equipas da Noruega e de França na main round. Terminou com a melhor classificação de sempre num mundial: o décimo lugar. ‘Classificarmo-nos num europeu para um mundial e agora fazermos bons resultados depois de tantos anos sem ir a esta competição, mostra que ainda temos muito para demonstrar’ vaticinou Luís Frade. O sonho de conseguir uma medalha ficou pelo caminho, mas os olhos já estão postos num futuro bem próximo. Segundo o treinador Paulo Pereira, que falou ao jornal Público, ‘o próximo sonho é ir aos Jogos Olímpicos’, previstos para julho/agosto deste ano, em Tóquio. A Seleção irá em março lutar por uma das duas vagas para a competição, com França, Tunísia e Croácia.

 

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