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Competições universitárias de regresso à pista de atletismo

 

Os campeonatos nacionais universitários estão de regresso e a primeira prova do ano vai juntar, em Pombal, dezenas de atletas para disputar os lugares de pódio no Campeonato Nacional Universitário de Atletismo em pista coberta.

 

As provas estão divididas por dois dias – 6 e 7 de março – e serão disputadas no pavilhão da Expocentro, estando a organização local a cargo do Politécnico de Leiria. Em jogo está a consagração de mais de duas dezenas de campeões, distribuídos pelas disciplinas da modalidade que estão previstas.

 

Na última época, no Altice Forum Braga, a Universidade do Porto conquistou o troféu coletivo (com um total de 13 medalhas), a Associação Académica de Coimbra ficou em segundo lugar (11 medalhas) e a Associação Académica da Universidade de Aveiro ocupou o terceiro posto do pódio (seis medalhas).

 

A competição irá cumprir as normas estabelecidas pela Direção-Geral da Saúde para eventos desportivos, estando prevista a medição de temperatura à chegada dos estudantes-atletas, o uso de máscara, a desinfeção das mãos em permanência e a ausência de público nas bancadas. Estarão no recinto apenas o número mínimo de elementos necessários para assegurar a normal realização de cada prova e os estudantes-atletas que estiverem a competir no momento.  

 

 

Jorge Braz e Ana Catarina Pereira eleitos os melhores do mundo

  

A revista Futsal Planet elegeu uma vez mais os melhores do ano e nessa lista constam dois portugueses: o selecionador nacional e selecionador nacional universitário de futsal, Jorge Braz, e a futsalista Ana Catarina Pereira, que participou no Campeonato Mundial Universitário (CMU) de futsal em 2014, na cidade de Antequera.

 

Jorge Braz venceu a distinção de melhor selecionador pelo terceiro ano consecutivo, ele que teve um percurso marcado pela ligação ao desporto universitário. Enquanto selecionador nacional universitário, conta no currículo com quatro medalhas de bronze e uma de prata. Antes disso, integrou a Seleção Nacional Universitária de Futsal em 1994 e 1996, enquanto guarda-redes.

 

Ana Catarina Pereira, vencedora na categoria de melhor guarda-redes, foi estudante-atleta e além de ter participado no CMU disputado em Espanha, jogou futsal pela Associação de Estudantes do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (AEISCAL) no Campeonato Universitário de Lisboa.

 

Em destaque esteve também o treinador do Sporting, Nuno Dias, que foi internacional universitário em 1998 - no mundial que decorreu em Braga - e que a Futsal Planet colocou em terceiro lugar na categoria de treinadores de clubes.

 

Nota de pesar por Paulo Diamantino

 

A Federação Académica do Desporto Universitário vem manifestar publicamente o mais profundo pesar pelo falecimento de Paulo Diamantino, que representou a Associação de Estudantes do Instituto Superior de Engenharia do Porto/ Politécnico do Porto, na modalidade de basquetebol, enquanto estudante-atleta. A FADU endereça à família e amigos as mais sentidas condolências.

 

De referir que Paulo Diamantino, tal como o irmão gémeo João Diamantino, fizeram parte da Seleção Nacional Universitária de Basquetebol masculino que participou na Universíada de verão de Belgrado, em 2009. Fora do contexto universitário representava atualmente o Mirandela Basquetebol Clube, tendo passado pelo Maia Basket, Vitória de Guimarães e Futebol clube do Porto. Era ainda internacional português.

 

 

 

 

 

Hugo Ferreira leva ouro para Tomar pela primeira vez

 

O Instituto Politécnico de Tomar alcançou pela primeira vez as medalhas de ouro e de prata no campeonato de xadrez, nas categorias de semirrápidas e rápidas, respetivamente, por intermédio de Hugo Ferreira. O atleta atingiu os 28 pontos em semirrápidas.

 

Na categoria rápidas, Mariana Silva, representante da Associação Académica da Universidade do Minho alcançou o primeiro lugar, Rita Santos foi medalha de prata pela Universidade do Porto, e Daniela Arruda, também ela do Minho, alcançou o terceiro lugar. No masculino o pódio ficou completo com os atletas André Sousa, medalha de ouro pela Universidade do Porto, Hugo Ferreira do Instituto Politécnico de Tomar com a prata e por João Andias, que levou para Aveiro o bronze.

 

Nas semirrápidas, além do primeiro lugar de Hugo Ferreira, André Sousa (medalha de prata) e André Fidalgo (medalha de bronze pela Universidade Nova de Lisboa) também entraram no pódio. No feminino, o ouro foi novamente para Mariana Silva, a prata para Rita Santos, também ela a arrecadar duas medalhas, e Bárbara Henriques somou mais uma medalha de bronze ao espólio da Universidade de Aveiro.

 

De referir que as provas decorreram nos dias 25 e 26 de fevereiro, no Pavilhão Aristides Hall, em Aveiro.

 

 

 

Minho foi duplo ouro no Kartódromo de Évora

 

A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) sagrou-se campeã nacional universitária de karting, esta sexta-feira, no Kartódromo de Évora. Os minhotos foram ouro quer na competição masculina, quer na prova feminina. 

 

Ao volante dos karts que chegaram primeiro, estavam o campeão Paulo Pereira (AAUM), Guilherme Gouveia da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST), segundo classificado, e Gustavo Martins da Associação de Estudantes da Universidade Fernando Pessoa (AEUFP), que levou o bronze na bagagem.

 

Na corrida feminina pelo título, Catarina Valente (AAUM) foi a primeira, Alice Ferreira da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) foi segunda e Ana Lobo (AAUAv) foi terceira. 

 

No Kartódromo de Évora estiveram a participação 33 estudantes-atletas (29 na prova masculina e 4 na prova feminina), numa tarde em que a chuva e o frio também marcaram presença. A Associação Académica da Universidade de Évora colaborou com a FADU na organização local do evento. 

Presidente da FADU ouvido na Assembleia da República

 

 

Decorreu esta quarta-feira, na Assembleia da República, uma audição pública com entidades da área do desporto, sobre os desafios inerentes ao período de pandemia que atravessa duas épocas consecutivas, e as medidas necessárias a adotar. O presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), André Reis, mostrou-se preocupado com a situação do desporto no seio do ensino superior e enunciou sugestões de medidas a implementar a curto, médio e longo prazo.

 

No início da sua intervenção, André Reis utilizou a palavra impotência para resumir o sentimento que impera no seio do desporto nacional, desde março do ano passado. O encerramento de infraestruturas e instalações desportivas, a decisão de não participação por parte de algumas das maiores Instituições de Ensino Superior – seguindo aquilo que o presidente considerou de ‘caminho mais fácil’ - e a ausência do ensino presencial, foram alguns dos entraves apontados, e que afetaram a atividade desportiva quer na época passada, quer na atual. 

 

Na intervenção do dirigente da FADU foram sublinhadas as preocupações com o abandono da prática desportiva no ensino superior, a saída de muitos estudantes-atletas do sistema desportivo, a incapacidade de muitos clubes reterem talento, as dificuldades estruturais no funcionamento e organização dos clubes e também a impossibilidade de acesso ao estatuto estudante-atleta e bolsas de mérito desportivo por parte de alguns estudantes, que se viram privados da prática desportiva regular e de eventos elegíveis, em contexto universitário ou federado.

 

Perante os desafios colocados, foi sugerida a implementação de medidas como a inserção do tema «Desporto e Saúde Mental dos Estudantes» na agenda da saúde pública, e a realização de uma convenção nacional do Ensino Superior sobre o desporto universitário português. No documento entregue na comissão, é ainda sublinhada a importância da valorização do papel dos estudantes dirigentes através da sua formação, e do apoio à construção, requalificação e aquisição de infraestruturas e equipamentos desportivos, com vista a um maior reconhecimento do desporto e da atividade física no processo educativo das instituições. Por outro lado, foi também referida a necessidade de apoio à internacionalização do desporto universitário, com apoios específicos à participação dos clubes e estudantes-atletas em competições europeias e mundiais, e à realização de eventos internacionais em Portugal, possibilitando o acesso a apoios plurianuais. Neste capítulo, é ainda referida a proposta para priorização dos atletas e agentes desportivos que representem Portugal além fronteiras na terceira fase de vacinação, medida que, nas palavras de André Reis, não envolve despesa orçamental extra e que depende apenas da vontade política dos responsáveis políticos.

 

Na audição intervieram representantes da Confederação do Desporto de Portugal, Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, Comité Olímpico de Portugal, Comité Paralímpico de Portugal, Confederação de Treinadores e de outras federações desportivas.

 

Pode aceder aqui a todas as intervenções em formato vídeo.

Manuel Veloso e Daniel Monteiro distinguidos pela EUSA

 

 

A Associação Europeia do Desporto Universitário (EUSA) distinguirá Manuel Veloso e Daniel Monteiro, secretário-geral e presidente da FADU de 2015 a 2019, respetivamente, na cerimónia anual de entrega de prémios da EUSA, que este ano decorrerá online, no dia 11 de fevereiro. 

 

Manuel Veloso, secretário-geral da FADU, onde cumpre funções há mais de 16 anos, será homenageado pelo seu longo vínculo e sentido de compromisso com a federação e com o desporto universitário. Daniel Monteiro foi presidente da FADU entre 2015 e 2019, período em que a FADU foi por três vezes eleita federação mais ativa da Europa (2015, 2017 e 2018), depois de ter recebido o mesmo galardão em 2013 e 2014. Refira-se ainda que, neste período de quatro anos, Portugal foi anfitrião dos Jogos Europeus Universitários de Coimbra em 2018, maior evento multidesportivo realizado no nosso País, destacando-se ainda duas galas e conferências e uma assembleia geral da EUSA, além da organização de seis campeonatos europeus universitários.

 

Recorde-se que a última gala da EUSA – comemorativa dos seus 20 anos - teve lugar em Aveiro no ano de 2019, ocasião na qual, além de a FADU ter sido eleita pela quinta vez a federação mais ativa da Europa, a Universidade de Coimbra recebeu os prémios de melhor e mais ativa universidade europeia, o antigo reitor, João Gabriel Silva, recebeu o galardão de ordem de mérito e o prémio ‘Special Acknowledgement’ foi atribuído a Ricardo Morgado, membro do comité organizador dos Jogos Europeus Universitários, realizados na cidade dos estudantes. Também a Universidade do Minho foi eleita a melhor universidade da década – de 2009 a 2019 - no que respeita ao desporto universitário, num lote de nomeadas onde constou também a Universidade de Coimbra.

 

A cerimónia está marcada para as 16 horas (PT) e decorrerá, excecionalmente, através de plataformas online, devido às limitações impostas pela pandemia da COVID-19. No evento serão distinguidos ainda os melhores da época 2019/2020.

 

Irmãos Santos em destaque no xadrez

 

 

 

 

Os irmãos Rita e Ricardo Santos estiveram em destaque no Campeonato Nacional Universitário de Xadrez individual rápidas e semirrápidas. A estudante-atleta, que este ano esteve a participar pela Associação de Estudantes da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (AEFADEUP), fez a 'dobradinha' e sagrou-se campeã nos dois ritmos da competição. O irmão levou o ouro na variante de rápidas e a prata na de semirrápidas. A juntar-se ao trio de campeões veio Hugo Ferreira, representante do Instituto Politécnico de Tomar, que foi campeão em semirrápidas.

 

Nas rápidas, o pódio feminino ficou completo com Ana Carrelha, da NOVA, que ocupou o segundo e último posto do pódio, à semelhança do que aconteceu na vertente do segundo dia. O pódio masculino, além do primeiro posto ocupado por Ricardo Santos da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), teve como vice-campeão João Valente (AAUAv) e em terceiro lugar Gabriel Gonçalves, da Associação de Estudantes do Instituto Superior de Economia e Gestão (AEISEG). Nas semirrápidas o terceiro lugar pertenceu a Pedro Mendes, da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST).

 

De referir que Hugo Ferreira na época passada conquistou o ouro em semirrápidas e a prata em rápidas. Já neste ano, o estudante-atleta do IPTomar integrou a Seleção Nacional Universitária que participou no Campeonato do Mundo de Xadrez que a FISU pôs em prática através de plataformas online, tal como os irmãos Santos. 

 

Mais de 20 estudantes-atletas, de nove clubes, competiram no Campeonato Nacional Universitário de Xadrez que decorreu em Lisboa, no pavilhão da AEIST. 

EUSA promove webinar sobre igualdade de género no desporto

 

 

A European University Sports Association (EUSA) levará a cabo na próxima terça-feira, às 9 horas (hora PT), um webinar e workshop online sobre igualdade de género no desporto, com especial destaque para o projeto GETZ, cujo foco está na igualdade de género, equidade e inclusão.

 
O projeto Gender Equality Toolkit for generation Z (GETZ) é apoiado pelo programa Erasmus+ da União Europeia e aborda o desequilíbrio de género existente no desporto em relação aos cargos de liderança e gestão da indústria, envolvendo especialmente a chamada geração Z, que abrange jovens e jovens adultos. A sessão tem duração prevista de 90 minutos e para participar basta fazer o registo através do link disponibilizado pela EUSA.

 

De referir que em setembro de 2019, em Aveiro, o tema da liderança feminina no desporto foi também abordado na conferência anual da EUSA que reuniu representantes de federações do desporto universitário de vários países europeus. 

Doutora Chang e a paixão pelo badminton

Polo verde, saia preta, ar concentrado e um olhar rasgado que faz a diferença. A Mariana Chang veste as cores da Universidade Nova de Lisboa nas competições universitárias e o Campeonato Nacional Universitário de badminton, seja individual ou equipas, já não é o mesmo sem ela. Estudante de medicina, atleta e treinadora de badminton, a Mariana é também uma menina de 22 anos, com origens dispersas e um mundo por descobrir.

 

 

A Mariana tem raízes asiáticas, a família é originária da China. O período conturbado vivido durante a guerra civil que o país atravessou na década de 40 levou os avós dos dois lados a mudaram-se para Moçambique, onde havia uma vasta comunidade de chineses. Foi aí que os pais se conheceram, antes de soprarem os ventos da liberdade de abril, e rumarem à capital lisboeta. O pai formou-se em arquitetura e engenharia civil, e atualmente desenha rotas de controlo de aviões na NAV. A mãe trabalha no Instituto Nacional de Estatística (INE). A infância foi feliz, rodeada de muita família, onde se contam mais dois irmãos. O mais velho chama-se Pedro, licenciou-se em arquitetura, e também já passou algum tempo de raquete na mão. ‘O badminton vem dos nossos pais e avós porque na China, como cá há os campos para jogar futebol um pouco por todo o lado, lá eles jogavam badminton nos jardins’, confidenciou a estudante-atleta que tem no núcleo familiar o seu porto de abrigo, algo que se evidenciou quando Pedro foi trabalhar para a Bélgica, onde permaneceu durante três anos. ‘Quando ele voltou senti como é bom estarmos outra vez os cinco à mesa e nem sabia que sentia falta disso’, admitiu. Com um seio familiar pautado pelo equilíbrio e presença parental, o tempo livre passa também pelos programas caseiros.

 

A Mariana gosta do tempo que passa em casa, por vezes a cozinhar. E há uma especialidade? ‘Risoto!’, responde de pronto o irmão caçula, João Chang, como quem saliva pela especialidade lá de casa. Entre tachos Mariana dá aso à imaginação e confessa que não segue receitas porque o que gosta mesmo é de ‘inventar com o que há’, é fã da comida bem condimentada e do processo criativo que acontece pelo meio. Na infância os pais estavam atentos à alimentação regrada dos filhos e isso fez com que esse hábito ficasse, mas sem fundamentalismos. ‘Às vezes fazemos uma refeição menos saudável, quando não nos apetece cozinhar, mas é só de vez em quando’. No plano das sobremesas o destaque vai para a baba de camelo ou… o pastel de nata? As duas colhem a preferência das suas papilas gustativas, tanto que deu direito a uma pergunta, via WhatsApp, de fundamental importância: ‘Posso mudar a minha sobremesa preferida para pastel de nata? Lembrei-me’. Leves traços de um sentido de humor que pode passar despercebido aos mais desatentos.

 

Além das iguarias, a jovem atleta da NOVA gosta de turismo de natureza e confessa que gostava de conhecer melhor os encantos e recantos de Portugal, muitos deles ainda por descobrir. ‘Gosto de ir passear, sair de casa, fazer alguma coisa. Ir à praia, descobrir um trilho novo e diferente. Gosto de aproveitar o tempo para fazer coisas novas e fugir à rotina. Cheguei à conclusão que posso viver estas coisas ao longo do ano e não apenas quando acaba o semestre e no verão. Só tenho de me organizar para isso’. O Gerês, a região do Douro e os Açores já ganharam um lugar especial e a pandemia fez com que tivesse mais tempo para explorar os meios mais afastados da grande cidade, dentro de portas. ‘Gosto da calma desses sítios, não há pressa para nada, não há carros sempre a passar, estamos ali só nós’. Quanto ao mundo digital, declara-se pouco viciada e brinca até com o facto de os pais serem mais ligados ao telemóvel do que os filhos.

 

Os estudos, a medicina e a honestidade intelectual

 

Na família há muito quem tenha escolhido tratar da saúde alheia, ainda que não seja no núcleo familiar. ‘O meu pai tem cinco irmãs e cada tia minha tem uma filha que é médica’, estando ela a menos de três anos de se tornar doutora. ‘Não gosto muito que me tratem assim, é muita responsabilidade. Se me quiserem tratar por pré-doutora Mariana eu aceito’, confessou com diversão na voz. Além de seguir a onda das primas, confessa que viveu permanentemente na idade dos porquês relativamente aos fenómenos do corpo humano. ‘Sempre tive fascínio por saber como o corpo funciona em termos de doenças, sempre fui aquela rapariga de querer saber como é que as coisas acontecem’. Ciente de que o seu futuro passa por muitas responsabilidades, a craque de badminton prefere não embandeirar em arco e trilhar um percurso com passos firmes. ‘Às vezes questiono se serei capaz, mas aí entra a parte do conhecimento. Eu quero saber não pela nota mas porque mais tarde vou precisar de saber aquilo e tenho medo que quando esse dia chegar eu não esteja preparada’. Quanto a área de especialização, o tempo será o melhor conselheiro. ‘Só a partir de agora, no quarto ano, começamos a rodar pelas especialidades e a ter noção do que queremos’.

 

 

 

A honestidade que transpira numa conversa decorrida em pose de chinês no chão do pavilhão, entre um jogo e outro, descortinam uma rapariga com sensatez acima da média. ‘Eu nunca fui a aluna que tirava 18 e 20 a tudo. Tirava notas okays e honestamente sem estatuto [de atleta de alto rendimento] não entrava, por menos de um valor. Também porque sempre tive muitos torneios e tinha de faltar às aulas, mas sempre me esforcei’. A competitividade nas pautas é saudável e, tal como no campo, o grande objetivo é nunca defraudar as suas próprias metas. ‘Eu comparava as notas com os meus colegas, acho que a maior parte dos estudantes faz isso. Mas não pensava que tinha de ter a melhor nota, se não tivesse a melhor nota – e isso era muito frequente porque não era das melhores da turma – pensava em melhorar numa próxima, mas sempre por mim e não para ser melhor que os outros’.

 

Estágio em Itália

Os tempos de pandemia impõem respeito, mas não a assustam, ou não tivesse ela escolhido a área da saúde para fazer vida. Planeia seguir para Itália no próximo verão para fazer um estágio e, se não houver impedimento que lhe seja exterior, é isso que fará. A família estará lá para a ver voar, não fosse o pai um homem ligado aos aviões.

 

A dedicação e a proposta para orientar os treinos na NOVA

 

Em Braga, a dupla Chang deixou claro para o que ia na abertura da época 20/21.  Determinação e cumplicidade culminaram no ouro que ajudaram a NOVA a conquistar no badminton. João, o irmão caloiro, está agora a iniciar o seu percurso nas competições universitárias. ‘A minha irmã foi-me falando para eu participar nos CNU desde o meu décimo ano. É sempre bom ter alguma coisa para desanuviar’, disse, sem se fazer rogado nas ambições. ‘O que é preciso para conseguir ir a uma universíada?’. Tal como o caçula, Mariana tem muita vontade de marcar presença nos agora denominados Jogos Mundiais Universitários. Seria o culminar do percurso que começou há quatro épocas, em que se registam três medalhas de ouro e três medalhas de prata nos nacionais e um quinto lugar nos Jogos Europeus Universitários realizados em Coimbra. ‘Gosto de participar para ganhar andamento, ritmo e estar preparada para o resto das competições’, disse, mesmo antes de sair para mais uma partida em Gualtar, no Minho. A sua perseverança leva a que seja notada e na NOVA abriu-se outra porta, a de treinadora. ‘Precisávamos de alguém para conduzir os treinos e orientar os colegas e ela disse que sim, que em termos financeiros era uma ajuda’, contou Daniel Moura, do Gabinete de Desporto da NOVA. ‘O feedback que tenho até agora é positivo. Dizem-me que aprenderam mais em duas semanas com ela do que em toda a vida que andaram a jogar badminton. Era isto que estávamos à procura e enquanto a Mariana conseguir é uma parceria que nos interessa manter’, disse ainda, sem deixar de frisar o exemplo que a atleta dá a todos. ‘Consegue conciliar o percurso desportivo com o académico, é uma pessoa responsável e proativa na melhoria de condições para a prática da modalidade, educada e muito prestável’.

 

 

 

Fora dos pavilhões dos campus, o momento competitivo que mais a marcou foi o campeonato do mundo de juniores em 2016, onde fez dupla com Miguel Rocha, que representa a Universidade de Lisboa nas competições universitárias. ‘Foi o culminar dos meus anos de juniores e consegui chegar ao top16 em par misto’, referiu a badmintonista, sentimento partilhado pelo seu parceiro de então. ‘Foi uma experiência marcante, totalmente diferente do que estávamos habituados. Já fazia pares com ela há alguns anos e foi muito bom ter chegado a esse nível, a nossa dinâmica melhorou bastante. A Mariana é uma pessoa com uma personalidade muito forte, gosta muito da modalidade e quando faz algo gosta de fazer bem e não fazer por fazer’. E um defeito que se possa apontar assim de caras? O mais generoso de todos: ‘às vezes é um pouco teimosa!’.

 

Como outros, Mariana vê a prática de desporto como um dos melhores escapes da vida, que lhe traz aprendizagens transversais. ‘O jogo ensinou-me muito a lidar comigo. Se estou no campo e estou a perder é preciso controlar os sentimentos de frustração, ter controlo e uma atitude mais positiva. Isso acaba por me ajudar em termos pessoais, noutras situações da vida’.

 

A versão e-paper pode ser descarregada aqui.

 

 

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